Читаем Gai-jin полностью

Faltava pouco para amanhecer. Ori e Hiraga, outra vez em roupas de ninja, saíram de seu esconderijo, no terreno do templo, acima da legação, desceram correndo a ladeira, sem fazer barulho, atravessaram a ponte de madeira, entraram numa viela, percorreram-na, continuaram por outra. Hiraga seguia na frente. Um cachorro os viu, rosnou, avançou para os dois, e morreu. O golpe curto e hábil da espada de Hiraga causou a morte instantânea, e ele seguiu adiante, apressado, a lâmina desembainhada, sem perder um passo, aprofundando-se mais e mais pela cidade. Ori o seguia com o maior cuidado. Hoje seu ferimento começara a infeccionar. À sombra de uma cabana, numa esquina discreta, Hiraga parou.



— É seguro aqui, Ori — sussurrou ele.



Os dois tiraram as roupas de ninja e as guardaram numa bolsa macia que Hiraga trazia, pendurada ao ombro, substituindo-as por quimonos comuns. Com extremo cuidado, Hiraga limpou sua espada com um pedaço de seda, carregado para esse propósito por todos os espadachins, e enfiou-a na bainha.



— Pronto?



— Pronto.



Hiraga tornou a seguir na frente, pelo labirinto de vielas, em passos seguros, permanecendo sob cobertura onde podia, hesitando diante de cada espaço aberto, até se certificar de que não havia perigo, não veriam ninguém, não encontrariam ninguém, depois seguindo adiante, a caminho da casa segura.





Haviam vigiado a legação desde o início da manhã, os bonzos — sacerdotes budistas — fingindo não notá-los, depois de se convencerem de que não eram ladrões, e de Hiraga ter se identificado e explicado sua missão: espionar os gai-jin. Todos os bonzos eram xenófobos fanáticos, contra os gai-jin, para eles sinônimo de jesuítas, ainda os seus mais odiados e temidos inimigos.





— Ah, vocês são shishi, então são bem-vindos — dissera o velho monge. — ademais esquecemos que os jesuítas nos arruinaram, e que os xóguns de Toranaga foram o nosso flagelo.





De meados do século XV e até o início do século XVI, só os portugueses conheciam o caminho para o Japão. Éditos papais também lhes concederam exclusividade sobre as ilhas, e aos jesuítas portugueses o direito exclusivo de proselitismo. Em poucos anos, eles converteram tantos daimios ao catolicismo, e por conseguinte seus súditos, que o ditador Goroda os usara como uma desculpa para massacrar milhares de monges budistas, que naquele tempo eram militantes dominantes no país, e se opunham a ele.



O tairo Nakamura, que herdara seu poder, expandira-o imensamente e jogara os bonzos contra os jesuítas, com perseguições, sofrimentos e mortes. E depois viera Toranaga.





Tolerante com todas as religiões, embora não com a influência estrangeira Toranaga observara que todos os daimios convertidos haviam inicialmente lutado contra ele, em Sekigahara. Três anos depois tornara-se o xógum, e dois anos mais tarde renunciara em favor do filho, Sudara, embora mantivesse o poder de fato— um antigo costume japonês.





Durante sua vida, controlara com todo rigor os jesuítas e budistas, e eliminara ou neutralizara os daimios católicos. Seu filho, o xógum Sudara, aumentara a repressão, e o filho dele, o xógum Hironaga, arrematara o plano delineado no legado, em que o cristianismo era formalmente proibido no Japão, sob pena de morte. Em 1.638, o xógum Hironaga destruíra o último bastião cristão, em Shimabara, perto de Nagasáqui, onde uns poucos milhares de ronin, trinta mil camponeses e suas famílias se rebelavam contra ele. Os que se recusaram a abjurar foram crucificados ou executados pela espada, como criminosos comuns. Só um punhado se recusou. Depois, ele concentrara sua atenção nos budistas. Em poucos dias determinara que lhe entregassem todas as suas terras de presente e mandara prendê-los.





— São bem-vindos, Hiraga-san, Ori-san — repetira o velho monge. — Somos a favor dos shishi, por Sonno-joi e contra o xogunato. Estão livres para circularem por aqui. Se precisarem de ajuda, basta nos avisarem.



— Pois então mantenha uma contagem do número de soldados, suas idas e vindas, que cômodos estão ocupados e por quem.



Os dois haviam esperado e vigiado durante o dia inteiro. Ao anoitecer, vestiram as roupas de ninja. Por duas vezes, Hiraga se aproximara da legação, numa delas chegara a escalar a cerca, a título de experiência e para fazer um reconhecimento, mas logo batera em retirada, sem ser visto, quando uma patrulha avançara em sua direção.



— Jamais conseguiremos entrar durante a noite, Ori — sussurrara ele. — Nem de dia. Há patrulhas demais agora.



— Quanto tempo acha que eles vão ficar?



Hiraga sorrira.



— Até os expulsarmos.





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