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Lanternas coloridas estavam sendo acesas por toda parte, jardins e caminhos recebiam os últimos retoques, arranjos de flores frescas eram concluídos. Dentro das casas de chá e estalagens, de maior ou menor importância, gueixas, cortesãs e mama-sans tomavam banho e se vestiam, conversando e se preparando para o entretenimento daquela noite. As cozinhas fervilhavam, homens cortando e picando, ajeitando salames e doces, fazendo as decorações, cuidando de caldeirões com o melhor arroz, limpando peixe, ajeitando as postas em molhos.



Muitos risos cordiais. Sofrimento aqui e ali, algumas mulheres em lágrimas pensando nos clientes que lhes haviam sido designados ou nos estranhos que deveriam receber com sorrisos, simulando satisfação... e não os jovens amantes pelos quais muitos corações ansiavam, mas o anseio tinha de ser posto de lado, adormecido. Como sempre, as mama-sans e as cortesãs mais velhas e experientes as acalmavam, repetindo o mesmo dogma que Meikin estava dizendo a Teko, a maiko de Koiko, agora em lágrimas, e que deveria fazer a sua estreia como cortesã naquela noite:



— Enxugue as lágrimas, Raio de Luar, aceite sem pensar a triste impermanência da vida, aceite o que há pela frente, ria com suas irmãs, desfrute o vinho, as canções e suas roupas bonitas, contemple a lua ou uma flor, e se deixe levar pela correnteza da vida, como uma cabaça flutuando à deriva rio abaixo. E agora trate de se apressar.



Não aceitarei que Katsumata traiu minha Koiko por uma causa justa, pensou Meikin, o coração confrangido. Ele não tinha necessidade ou justificativa para comprometer minha preciosa com aquela mulher shishi, por mais brava que ela fosse. Pior, ele foi baka ao encerrar uma fonte tão maravilhosa de influência e informações confidenciais sobre a sombra de Yoshi, uma estupidez inominável! Mas está feito. Terminado. Aceite seu próprio conselho, Meikin: Deixe-se ir à deriva, que importância tem, realmente?



Aceito que importava, Koiko era importante para todos nós, inclusive para Yoshi, que agora se lança implacável contra todos os shishi.



A mama-san tornou a sentar diante do espelho. O reflexo a fitou. A maquilagem, mais intensa que o habitual, não escondia as olheiras e rugas de preocupação.



Aceito também que envelheci horrivelmente desde que o shoya nos interrompeu, a Raiko e a mim — o décimo primeiro dia do décimo segundo mês, o último mês, o último dia da minha vida. Há apenas trinta e três dias. Apenas trinta e três dias, e pareço uma velha enrugada, muito além do tempo normal de cinqüenta anos. Trinta e três dias de lágrimas, um lago de lágrimas, quando pensava que me encontrava sã e salva além das lágrimas, convencida de que esgotara todas as minhas lágrimas há muito tempo, por amantes que mal posso lembrar, por alguém que ainda posso sentir, cheirar, saborear e ansiar, meu jovem e indigente samurai que partiu sem avisar, sem dizer uma só palavra, sem deixar uma carta, por outra casa de chá e outra mulher, levando o pouco dinheiro que eu guardara e os fragmentos do meu espírito, que ele jogou na sarjeta. E depois mais lágrimas por meu filho, morto no incêndio da casa de seus pais de adoção, o pai dele, o velho e rico mercador, indo embora como o outro, meu suicídio malogrado.



Anos demais a flutuar. Trinta e três anos à deriva, um ano para cada um dos meus dias de angústia. Tenho agora quarenta e três anos, hoje faz quarenta e três anos que nasci. O que devo fazer agora? Muito em breve lorde Yoshi vai exigir o pagamento. Karma.



Aceito que treinei Koiko, ofereci-a, garanti-a. O que mais posso oferecer em súplica? O que posso fazer?



Seu reflexo não respondeu.



Uma batida na porta.



— Ama, Katsumata-sama está aqui. Chegou cedo. Ela sentiu um vazio no estômago.



— Já vou falar com ele.



Para se acalmar, Meikin tomou um pouco do conhaque dos gai-jin que Raiko lhe dera. Assim que se sentiu mais descontraída, saiu, atravessou o corredor comprido para uma sala de recepção, toda de madeira, tatame e shoji mais dispendiosos. Em maravilhoso bom gosto. Tudo comprado e pago com muito esforço, aflição e adulação; por causa de Koiko, a Flor, sua casa era muito lucrativa, uma fonte de satisfação para seus banqueiros. Com os quais tivera uma reunião naquele dia.



— Sinto muito, mas notamos que seus recibos se tornaram consideravelmente mais baixos, em comparação com o mês passado.



— É a época do ano, muito desfavorável para todas as casas de chá, com um frio anormal. Os negócios vão melhorar com a primavera. Ainda temos um lucro alto para o último ano, não há necessidade de preocupação.



Mas Meikin sabia — e sabia que a Gyokoyama sabia — que a maior parte de seu lucro era por causa de Koiko, e que agora uma tênue cortina de gaze pairava entre ela e sua ruína. Se Yoshi assim decidisse.



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