Читаем Gai-jin полностью

De vez em quando, uma brisa amena soprava do mar, fazendo as janelas rangerem. A cem metros dali, no outro lado da rua, as ondas subiam pela praia de seixos, recuavam, tornavam a avançar, com um som agradável, que prometia outra noite suave, acolhida com satisfação por todos na colônia. A esquadra partira ao crepúsculo. As pessoas que não se encontravam embriagadas ou na cama observaram os navios zarpar com graus variados de ansiedade. Todos desejavam boa viagem e rápido retorno. Exceto os japoneses. Ori fora um deles e agora tinha os olhos comprimidos numa fresta de uma das janelas de Angelique, oculto e camuflado pelas camélias altas, que cresciam em abundância ali, plantadas por Seratard, um entusiasta da jardinagem.



Muito antes da meia-noite, Ori postara-se ali, esperando pela mulher. Enquanto o tempo passava, bem devagar, pensara e repensara esquemas diversos, cansado, nervoso, verificando a todo instante se a espada curta estava solta na bainha e a pistola segura na manga do quimono de pescador. Mas quando a vira se aproximando da legação, em companhia dos dois gai-jin, toda a sua exaustão desaparecera.



Por um momento, cogitara sair correndo e matar a todos, mas descartara essa tolice, sabendo que era improvável que pudesse matar os três, mais a sentinela, antes de ser morto. Além do mais, refletira, sombrio, isso liquidaria meu plano de possuí-la mais uma vez, antes de morrer, e depois incendiar a colônia. Sem a minha presença para espicaçá-lo, Hiraga nunca faria isso. Ele é fraco demais agora... contagiado pelos gai-jin. Se Hiraga, o Forte pode sucumbir tão depressa, o que acontecerá com os outros? O imperador está certo ao odiar os gai-jin e querer que sejam expulsos!



Assim, ele contivera sua raiva e se encolhera ainda mais no esconderijo, deixando o tempo passar, planejando para qualquer eventualidade. Não havia a menor possibilidade de passar pelas janelas, a menos que a mulher abrisse as grades. A porta dos fundos não era vigiada, e seria uma possibilidade... além de haver ali diversos apoios para alcançar o andar de cima, se não conseguisse abri-la. Observara Angelique ser despida, em todos os detalhes, a apenas dois passos de distância, no outro lado da parede. Agora, ela se acomodava para dormir, sob os cuidados da criada. A impaciência de Ori tornou-se quase insuportável.



Antes, uma das patrulhas de soldados e marujos, que circulavam pela colônia durante a noite, a fim de manter a ordem, o detivera de repente, num caminho por trás da High Street. Ele parara sem medo, pois não havia toque de recolher, nem Qualquer parte da colônia era proibida aos japoneses, embora eles procurassem se Manter em sua própria área, numa atitude sensata, e optassem por não provocar o temperamento explosivo dos gai-jin. Infelizmente, porém, o sargento empurrara uma lanterna para cima de seu rosto, fazendo-o dar um pulo para trás, sobressaltado. A espada curta escondida caíra ao chão, com o maior barulho e o sargento gritara:





— Ora, seu desgraçado, sabe muito bem que andar com uma faca assim é proibido, kinjiru?



Embora Ori não entendesse as palavras, a regra e a penalidade eram do conhecimento geral. No mesmo instante, ele pegara a espada curta e fugira. O sargento atirara, mas a bala ricocheteara numa parede, inofensiva. Ori pulara um muro baixo e se embrenhara no labirinto de vielas e habitações. A patrulha não se dera ao trabalho de persegui-lo, os homens se limitando a gritar alguns insultos, afinal, andar com uma faca era uma violação sem maior importância, valia apenas uma surra imediata e o confisco da arma.



Ele tornara a esperar, escondido, até poder se juntar a um grupo de pescadores que desciam para a praia. Voltara depois, escalara a cerca da legação e logo encontrara um lugar seguro. Uma vez ali, encolhera-se ao máximo e começara a esperar.



Naquela manhã, fingira que estava pronto para deixar a Yoshiwara, a caminho de Quioto, como Hiraga exigira.



— Assim que fizer contato com Katsumata, eu lhe enviarei uma mensagem — dissera ele, os lábios semicerrados, numa atitude deliberada. — Cuide para que a mulher não escape!





— Ela é a mulher do tai-pan e, por isso, todos os seus passos são vigiados, não haverá a menor dificuldade em descobri-la — respondera Hiraga, com a mesma frieza. — Tome todo cuidado, pois a Tokaidô será perigosa... as patrulhas de vigilantes e guardas nas barreiras estarão em alerta total.





— Melhor honrarmos Sonno-joi, melhor você permitir que eu fique, melhor incendiarmos Iocoama, Akimoto chega hoje, podemos fazê-lo com a maior facilidade.





— É o que faremos, quando você voltar. Se permanecer agora, cometerá um erro. A mulher virou sua cabeça pelo avesso e tornou-o perigoso, para si mesmo, seus amigos e Sonno-joi.



— E o que me diz de você, Hiraga? Os gai-jin lhe transformaram, distorceram seu julgamento.



— Não é assim e digo isso pela última vez.



Sem se preocupar em provocar Hiraga ainda mais, ele explodira:



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