Читаем Gai-jin полностью

— Enlouqueceu? Não podemos envolvê-lo de jeito nenhum. Nem Hoag. Não é possível, André. Pensei em tudo com o maior cuidado. Nenhum dos dois serve. Temos de encontrar outra pessoa. Uma madame.



André ficou espantado com sua voz calma e lógica implacável e balbuciou:





— Está se referindo a uma mama-san?



— O que é isso?



— Ahn... é a mulher, a mulher japonesa, que dirige os bordéis locais, contrata os serviços das moças, acerta preços, cuida da distribuição pelos clientes. E assim por diante.



Angelique franziu a testa.



— Eu não tinha pensado numa delas. Ouvi dizer que há uma casa no final da estrada.



— Essa não! Fala da casa de Naughty Nellie... na cidade dos bêbados? Tu não iria lá nem por mil luíses.



— Mas a casa não é dirigida pela irmã da Sra. Fortheringill? A famosa Sra. Fortheringill de Hong Kong?



— Como sabe dela?





— Por Deus, André, pensa que sou uma inglesa tola e intolerante? — disse inrritada. — Todas as europeias em Hong Kong sabem da Instituição para moças da Sra. Fortheringill, embora finjam que a ignoram e nunca falem abertamente a respeito; todas também sabem, à exceção talvez das mais estúpidas, que os homens visitam as casas chinesas ou têm amantes orientais. É hipocrisia, nada mais. Até mesmo você ficaria espantado se soubesse sobre o que as mulheres conversam na privacidade de seus boudoirs ou quando não há homens presentes.



Fui informada em Hong Kong que a irmã dela abriu uma casa aqui.



— Não é a mesma coisa, Angelique. Atende a marujos, bêbados, imigrantes que vivem do dinheiro que recebem de casa... a escória. E Naughty Nellie não é irmã, apenas alega ser, talvez até pague alguma coisa pelo uso do nome.



— É mesmo? Então para onde você vai, quando quer se “divertir”?



— Para a Yoshiwara.



André explicou o que era, desconcertado com a conversa e por se mostrar tão franco.





— Costuma frequentar algum lugar especial... uma casa especial? Mantém boas relações com alguma mama-san?



— Claro.





— Ótimo. Procure sua mama-san esta noite e obtenha a poção que elas usam, qualquer que seja.



— O quê?





— Por Deus, André, seja sensato... e sério. É um problema sério e, se não pudermos resolvê-lo, nunca serei a châtelaine da Casa Nobre; com isso você nunca poderá ajudar... a certos interesses.



Angelique percebeu que esse comentário atingira o alvo e sentiu-se ainda mais satisfeita consigo.





— Vá até lá esta noite e peça a poção a ela. Não pergunte à sua garota, ou a qualquer outra, porque elas não devem saber. Pergunte à patronne, à mama-san. Pode dizer que “a garota” está atrasada.



— Não sei se elas têm um medicamento assim. Ela sorriu, afável.





— Não seja tolo, André. Claro que têm. Não podem deixar de ter. — Com a mão direita, Angelique começou a esticar os dedos da luva na mão esquerda. — depois que esse problema estiver solucionado, tudo será maravilhoso e casaremos no Natal. Por falar nisso, decidi que será melhor deixar a casa de Struan até casarrnos... agora que monsieur Struan recupera mais e mais as forças, a cada dia. Voltarei para a nossa legação esta tarde.



— Acha que é uma providência sensata? Melhor ficar perto dele.



— Em circunstâncias normais, seria mesmo. Mas devemos pensar no decoro também, ainda mais importante, tenho certeza de que o medicamento fará com que me sinta mais segura. Descansarei por um ou dois dias. Assim que isso estiver resolvido, decidirei que vou voltar. Sei que posso contar com você, meu amigo. — Angelique levantou-se. — Amanhã, à mesma hora?



Se eu nada conseguir, darei um jeito de avisá-la.



— Não. É melhor nos encontrarmos aqui ao meio-dia. Sei que posso com contar com você.



Ela ofereceu o seu sorriso mais insinuante. André experimentou algum excitamento, não apenas por causa do sorriso, mas também porque agora, independente do que viesse a acontecer, ela ficaria acorrentada a ele para sempre.



— Aqueles caracteres, Angelique, os que estavam escritos no lençol... lembra-se como eram?



— Claro — respondeu ela, surpresa com a mudança de assunto. — Por quê?



— Pode desenhá-los para mim? Talvez eu os reconheça e descubra um significado.



— Foram desenhados na colcha, não no lençol. Com o sangue dele. — Angelique respirou fundo, estendeu a mão, pegou a caneta, mergulhou no tinteiro — Esqueci de lhe contar uma coisa. Quando acordei, constatei que desaparecera a pequena cruz que usava desde criança. Procurei por toda parte, mas não a encontrei.



— Ele roubou?



— Presumo que sim. Mas nada mais. Havia algumas jóias, que não foram tocadas. Não eram muito valiosas, porém valiam mais do que a cruz.



O pensamento de Angelique estendida naquela cama, inerte, a camisola cortada do pescoço à bainha, a mão do estuprador arrancando a corrente, o luar faiscando na cruz, antes ou depois, rapidamente se tornou real e erótico, vibrando em André. Seus olhos percorreram o corpo de Angelique, debruçada sobre a mesa, alheia a seu desejo.



— Aqui está — disse ela, estendendo o papel.



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