Um alfinete de gelo saltou de seus testículos para o coração e voltou. Mil respostas afloraram, a melhor das quais era: se eu quiser ir à Yoshiwara, por Deus, irei quando me aprouver. Não somos casados e mesmo que eu fosse... e lhe diria que não queria casar, pelo menos ainda não, não agora que o novo negócio tem possibilidades. Confiante, Jamie abriu a boca para dizer tudo isso, mas por alguma razão a voz saiu estrangulada e hesitante:
— Eu... hum... fui, sim, mas...
— Divertiu-se?
— Escute, Maureen, há algumas coisas...
— Já sei sobre a Yoshiwara, meu caro, e sobre os homens — disse ela, gentilmente. — Divertiu-se?
Jamie parou, abalado pela voz gentil e o comportamento afável:
— Hum... acho que sim... mas deve compreender, Mau...
— Faz frio demais para a gente parar, Jamie. — Ela tornou a pegar o braço dele, forçou-o a continuar a andar. — Muito bem, você se divertiu. Por que não me contou? E por que inventar a mentira de que se sentia cansado?
— Porque... — Outra vez uma dúzia de respostas, mas sua boca emitiu apenas: — Porque é óbvio. Eu não queria...
Jamie não podia dizer: Eu não queria magoá-la, porque tinha um encontro marcado, queria me encontrar com Nemi, mas ao mesmo tempo não queria, também não queria que você soubesse dela, e a verdade é que me senti horrível.
Quando entrara na pequena casa, encontrara Nemi vestindo o seu melhor quimono de dormir, o santuário dos dois impecável, comidas e saquê à espera, ela rindo e feliz, muito atenciosa.
— Ei, Jamie-san, bom ver você! Ouvir boa notícia do barco. Você casar dama da
Ele ficara Atônito pela rapidez com que a notícia circulara.
— Como soube?
— Toda Yoshiwara saber! Importante, neh? — Nemi se mostrava esfuziante. Dois dias eu ir Casa Grande conhecer breve
— HEM?
— Importante, Jami-san. Quando casamento? Importante, para
— Você ficou doida? — explodira ele.
Nemi não entendera.
— Doida, Jami-san?
— Não é assim que as coisas são feitas, pelo amor de Deus!
— Não compreender... importante Nemi ir
— Você está doida!
— Não compreender...
Ela se mostrara assustada com a atitude belicosa de Jamie e concluíra que a fuga era a melhor defesa para aquele comportamento incrível... mas a fuga em lágrimas, é claro.
Nemi saíra antes que ele pudesse detê-la, a
Não, seu idiota, não entendeu errado. Foi isso mesmo o que ela disse.
Acabara indo para o escritório. Antes do amanhecer. Pensara no caso durante toda a manhã e descobria agora que tinha duas mulheres para enfrentar.
— Escute, Maureen, desculpe ter mentido — balbuciou ele. — Mas... não sei o que mais dizer.
— Não se preocupe, pois essas coisas acontecem.
Maureen sorriu.
— Hem? Não está aporrinha... desculpe, não está zangada?
— Não, meu caro, não desta vez... não até termos uma conversinha.
Não havia ameaça na voz ou atitude de Maureen, pelo menos que ele pudesse perceber, e ela continuava a segurar seu braço com a maior ternura; mesmo assim, todo o seu ser interior bradava perigo, pelo amor de Deus, controle a língua, não diga nada.
— Conversinha? — ele se ouviu indagar.
— Isso mesmo.
Houve um silêncio ensurdecedor, apesar do barulho do vento nos telhados e calhas, os sinos de igreja, os apitos dos navios no porto, os cachorros latindo. Controle a língua, dois podem entrar nessa negociação, Jamie advertiu a si mesmo.
— E o que isso significa?
Maureen tateava o caminho com cuidado, gostando do aprendizado — e do ensinamento — do processo. Era apenas a primeira de uma sucessão intermináve1 de confrontações.