Читаем Gai-jin полностью

Antes de compreender o que fazia, batera nas janelas e depois, transtornado com sua estupidez, saíra correndo, pulara a cerca, encontrara o remo usado como camuflagem, ajeitara-o ao ombro e, sem ser detido, atravessara a rua, enquanto vozes gai-jin soavam lá atrás.



Hiraga deve estar certo, pensou ele, nauseado, confuso, o coração doendo no peito, o ombro latejando, e um filete de sangue quente escorrendo da abertura no ferimento causada por sua fuga precipitada. Talvez aquela mulher tenha realmente me deixado louco. Sem qualquer dúvida, foi uma loucura bater na janela... de que isso me serviria? Qual o problema se ela deitasse com outro? Por que isso deveria me enfurecer tanto, fazer o coração explodir em meus ouvidos? Não sou dono dela, nem quero ser, que diferença faz se outro gai-jin a possui, com ou sem violência? Algumas mulheres precisam de uma certa violência para excitá-las, como muitos homens... ah, espere, teria sido melhor se ela lutasse comigo, em vez de me acolher daquele jeito, por mais drogada que estivesse... ou fingisse estar?



Fingisse?





Era a primeira vez que tal pensamento lhe ocorria. Um pouco da raiva se esvaiu, embora o coração continuasse disparado, as têmporas ainda latejassem. Seria possível que ela estivesse fingindo? Claro que sim, pois seus braços me enlaçaram, suas pernas me envolveram, e seu corpo se mexeu como o de nenhuma outra... todas as parceiras de travesseiro se mexem com sensualidade, soltam gemidos e suspiros, às vezes exibem umas poucas lágrimas e murmuram “Ah, como você é forte, como me esgota, nunca tive o privilégio de conhecer um homem assim antes...”, mas todos os clientes sabem que são palavras superficiais, decoradas, parte do treinamento, nada mais do que isso, inexpressivas.



Ela não se comportou assim e cada momento teve um significado para mim. Não importa se ela fingia ou não... provavelmente fingia, pois as mulheres são cheias de astúcia. Não me importo, mas não deveria ter golpeado a janela como um tolo alucinado, revelando minha presença e esconderijo, provavelmente arruinando para sempre toda e qualquer possibilidade de, novamente, ter acesso àquele lugar.



Outra vez a raiva o dominou. Bateu com o punho na madeira do casco.



— Baka! — sussurrou, com vontade de gritar bem alto.



Passos sobre os seixos. Cauteloso, Ori se encolheu ainda mais nas sombras esquivando-se da claridade desastrosa da lua. Ouviu as vozes de pescadores se aproximando, conversando, censurando-se mais uma vez por não se ter mantido mais alerta. Quase que no mesmo instante, um pescador rude, de meia-idade, contornou a popa do barco e parou.



— Cuidado! Quem é você, estranho?— indagou o homem, furioso, segurando o mastro curto que tinha nas mãos como se fosse um porrete. — O que está fazendo aqui?



Ori não se mexeu, apenas fitou-o com uma expressão irada e aos outros que vieram se postar ao lado do primeiro. Um também era de meia-idade, o outro um jovem, não muito mais velho que Ori.



— Não deve perguntar algo assim a seus superiores — disse ele. — Onde estão suas maneiras?



— Quem é você? Não é um samu...



O homem parou de falar, paralisado, enquanto Ori se levantava de um pulo, a mão na espada, a lâmina começando a sair da bainha, ameaçadora.



— De joelhos, ralé, antes que eu arranque seus corações baka... um corte de cabelos diferente não faz com que eu seja menos samurai!



No mesmo instante, os pescadores caíram de joelhos, baixando a cabeça para a areia, balbuciando desculpas, convencidos da autoridade de Ori, pela maneira como a espada curta era empunhada.



— Calem-se! — gritou Ori. — Para onde estão indo?



— Vamos sair para pescar, lorde, por meia légua de mar. Por favor, perdoe-nos, mas no escuro, com seus cabelos...



— Cale-se! Levem o barco para a água! Depressa!



Saindo pelo mar, são e salvo, a raiva ofuscante controlada, o ar marinho purificando-o, Ori olhou para a colônia. As luzes continuavam acesas nas legações francesa e britânica, no prédio Struan e no clube que Hiraga lhe indicara. Lampiões a óleo ao longo da praia, umas poucas janelas iluminadas em outros bangalôs e armazéns, a cidade dos bêbados com a agitação normal, que se prolongaria noite adentro, os lugares que vendiam bebida nunca adormecendo por completo.



Mas toda a sua atenção se concentrou na legação francesa. Por quê? Ele não parava de perguntar a si mesmo. Por que eu haveria de me sentir tão possuído pelo... ciúme? Essa era a verdadeira palavra. Um ciúme insano. Sentir ciúme por causa de travesseiro é baka.





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