Читаем Gai-jin полностью

Ao lado da legação britânica ficava a americana, depois a holandesa, russa, alemã e por último, a francesa. Ali, naquela noite, em sua suíte, Angelique vestia-se para Jantar, ajudada por Ah Sok. Dentro de uma hora deveria começar o jantar dedicado a ela e a Malcolm por Seratard, para comemorar o noivado. Mais tarde teria música.



— Mas não toque por tempo demais, André — pedira ela, pouco antes. — Alegue que está cansado. Deixe bastante tempo para sua missão. Os homens são mesmo afortunados.



Ela sentia-se contente e triste por ter se mudado. É mais sensato, ela refletiu agora. Poderei voltar em três dias. Uma nova vida, uma nova...



— O que errado, senhora?



— Nada, Ah Sok.



Angelique fez um esforço para afastar a mente do que teria de suportar breve, sepultou o medo ainda mais fundo.





Um pouco além, na melhor localização à beira do cais, o prédio Struan aind se encontrava todo iluminado, assim como a Brock & Sons, ao lado, com muitos escriturários e cambistas continuando a trabalhar nas duas companhias. Malcolm Struan transferira-se naquele dia para a suíte do tai-pan, muito maior e mais confortável do que a suíte que ocupava antes, e agora se empenhava em vestir o traje para o jantar.



— Qual é o seu conselho, Jamie? Não sei o que fazer com a mãe e suas cartas mas isso é um problema meu, não seu... ela também o está pressionando, não é?



Jamie McFay deu de ombros.





— É muito difícil para ela. Do seu ponto de vista, até que tem razão, ela quer apenas o melhor para você. Creio que se preocupa demais com a sua saúde, por você estar tão longe e ela não poder vir para cá. E nada dos Struans pode ser resolvido de Iocoama, é tudo em Hong Kong. O China Cloud chegará dentro de poucos dias, procedente de Xangai, e seguirá direto para Hong Kong. Vai voltar com ela?





— Não, e por favor não torne a levantar o assunto — respondeu Struan, o tom um tanto ríspido. — Avisarei quando nós, Angelique e eu, decidirmos partir. Só espero que a mãe não esteja no China Cloud... seria a última gota.



Struan inclinou-se para calçar as botas, não conseguiu, a dor foi intensa demais.



— Desculpe, mas pode me ajudar? Obrigado.



Depois, ele explodiu:



— Ser como um aleijado fodido está me levando à loucura!



— Posso imaginar.



McFay disfarçou sua surpresa. Era a primeira vez que ouvia Malcolm Struan dizer um palavrão. Tratou de acrescentar, gentilmente, gostando dele, admirando sua coragem:



— Eu também ficaria assim... não, não igual, muito pior.



— Ficarei bem depois que casarmos, toda a espera encerrada, tudo em ordem.



Com alguma dificuldade, Struan usou o urinol, o que era sempre doloroso, viu algumas partículas de sangue no fluxo. Falara a respeito com Hoag no dia anterior, quando recomeçara, e o médico lhe dissera para não se preocupar.



— Então por que você está preocupado?



— Não estou preocupado, Malcolm, mas apenas interessado. Com os ferimentos internos que você sofreu, qualquer indicação durante o processo de cura deve ser registrada...



Struan terminou, claudicou até a cadeira ao lado da janela, arriou nela, agradecido.



— Preciso de um favor, Jamie.



— Claro. Qualquer coisa. O que posso fazer?



— Pode... ahn... preciso ter uma mulher. Pode trazer alguém da Yoshiwara?



Jamie ficou surpreso.



— Ahn... acho que sim. — Uma pausa. — Seria sensato?



Uma rajada de vento sacudiu as janelas, os galhos das árvores e os arbustos no jardim, derrubou algumas telhas soltas ao chão, fez com que os ratos saíssem correndo das pilhas de lixo jogadas na High Street e do canal cheio e fétido ao redor, que também servia como esgoto.



— Não — respondeu Malcolm.













A menos de um quilômetro do prédio Struan, perto da cidade dos bêbados, numa habitação indistinta da aldeia japonesa, Hiraga estava deitado de barriga para baixo, sendo massageado. A casa era ordinária, a fachada dando para a rua decrépita igual às outras nos dois lados do estreito caminho de terra, cada uma servindo também como depósito e loja durante o dia. Lá dentro, como muitas outras que pertenciam aos mercadores mais prósperos, tudo exibia uma limpeza impecável, era polido, apreciado e confortável. Era a casa do shoya, o ancião da aldeia.



A massagista era cega. Tinha vinte e poucos anos, o corpo firme, o rosto gentil, um sorriso meigo. Pelos costumes antigos, na maior parte da Ásia, os cegos tinham o monopólio da arte da massagem, embora fosse praticada também por algumas pessoas de visão normal. Também pelo costume antigo, os cegos sempre tinham toda segurança, nunca eram atacados.



— É muito forte, samurai-sama — disse a jovem, rompendo o silêncio. — Os homens com quem lutou devem estar mortos ou sofrendo.



Por um momento, Hiraga não respondeu, apreciando os dedos hábeis e firmes, que procuravam seus músculos contraídos e os relaxavam.



— Talvez.



— Por favor, posso fazer uma sugestão? Tenho um óleo especial da China que ajudará a curar seus cortes e equimoses num instante.



Ele sorriu. Era um estratagema usado com freqüência, para ganhar um dinheiro extra.



— Está bem. Pode usar.



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