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Comprometido agora, o coração disparado, torcendo para que os dois oficiais britânicos ali perto estivessem tão concentrados no exterior não o ouviriam, Hiraga sussurrou, hesitante, a pronúncia por pouco incompreensível, o impossível para ele:





— Por favor, quieto. Perigo. Finja palavras suas. Diga Sencho, dozo shizuka ni... diga palavras!





Doente de medo, ele esperou por um instante, sentindo que a tensão dos samurais lá fora estava prestes a explodir, e logo insistiu, em inglês, como uma ordem:



— Diga palavras agora! Agora! Sencho... dozo shizuka ni... Depressa! Quase fora de si, Tyrer obedeceu:



— Sencho, dozo shizuka ni...





Repetiu as palavras com precisão, estas e as subsequentes, sem saber o que dizia, e esforçando-se para pôr em perspectiva o fato de que aquele jardineiro sabia falar inglês, e que isso não era um sonho. Em poucos segundos, ele constatou que as palavras surtiam algum efeito. O oficial dos samurais gritou por silêncio. A tensão diminuía na praça. De vez em quando, o oficial, escutando-o com o máximo de atenção, murmurava “Hai, wakatta”. Sim, eu compreendo. A coragem de Tyrer voltou e ele se concentrou em Hiraga e no oficial japonês. As palavras logo terminaram, com um “Domo”.





No mesmo instante, o oficial dos samurais iniciou uma resposta. Hiraga esperou até que terminasse e sussurrou:





— Balance cabeça. Diga Iyé, domo, faça uma reverência rápida e volte para Casa. Ordene eu ir também.





Mais controlado agora, Tyrer sacudiu a cabeça com firmeza. “Iyé, domo!”



Sentindo-se muito importante, num silêncio respeitoso, o centro do mundo, ele encaminhou-se para a casa, parou em súbita confusão, virou-se e gritou em inglês:



— Ukiya, venha comigo... oh, Deus!



Frenético, Tyrer procurou pela palavra japonesa, encontrou-a e acrescentou:





Ukiya, isogi!



Ainda quase rastejando, Hiraga seguiu-o. No alto dos degraus, a fim de que só Tyrer pudesse ouvi-lo, abaixado numa posição subserviente, de costas par todos os olhos, ele disse:



— Por favor, ordem outros homens, agora seguro. Dentro casa, depressa, por favor.



Obediente, Tyrer gritou:



— Capitão Pallidar, mande seus homens recuarem. A situação já é segura agora!



Dentro da legação, fora das vistas dos outros, o alívio pálido de Tyrer transformou-se em raiva.



— Quem é você? O que me mandou dizer ao samurai?



— Explicar depois, Taira-san. Samurai queria busca, você, outros homens, queria levar armas.



Hiraga truncava as palavras, ainda não recuperado do próprio medo. Empertigou-se agora, fitou Tyrer nos olhos, não tão alto, mas igualmente suado, sabendo que ainda não escapara da armadilha.





— Capitão muito zangado, quer armas, levar armas, quer procurar... inimigo do Bakufu. Você dizer ele: “Não, capitão, kinjiru, proibido procurar. Hoje eu e homens sair daqui, depois procura. Agora não, kinjiru. Guardamos armas quando ir embora. Kinjiru proibido deter nós. Obrigado. Agora preparar ir para Iocoama.



— Foi isso que eu disse?





— Sim. Por favor, agora lá fora, ordenar jardineiros voltar trabalho, muito zangado. Palavra hataraki-mashoi. Falar depois, em segredo, você e eu, sim?



— Sim, mas não a sós, com um oficial presente.



— Então não falar, sentir muito.



Hiraga tornou a assumir sua posição subserviente e saiu da sala, de costas, o diálogo tendo durado apenas uns poucos segundos. Mais uma vez caiu de joelhos diante de Tyrer, o traseiro virado para o pátio. Apreensivo, Tyrer saiu para a luz-Viu que todos ainda aguardavam.





— Capitão Pallidar... e capitão McGregor, digam a seus homens que podem recuar e, depois, juntem-se a mim para uma conferência. Hataraki-mashoi-Ikimasho! Voltem ao trabalho! Depressa!



As ordens finais foram endereçadas aos jardineiros, que trataram de obedecer.Agradecido, Hiraga fugiu para a segurança do jardim e murmurou para que os jardineiros lhe dessem cobertura. Oficiais e sargentos começaram a berrar ordens e o tumulto recomeçou.



Indiferente a tudo, Tyrer ficou na varanda, observando Hiraga, indeciso.



Consternado por saber que se tratava de um espião, mas ao mesmo tempo abençoando-o por salvar a todos.



— Queria falar conosco? — indagou Pallidar, interrompendo seu devaneio.



— Quero, sim... por favor, acompanhem-me.





Ele levou-os para sua sala, fechou a porta e explicou o que dissera ao chefe dos samurais. Ambos lhe deram os parabéns.



— Foi impressionante, Phillip — comentou Pallidar. — Por um momento pensei que teríamos uma confrontação; só Deus sabe o que poderia acontecer. Havia patifes demais... e acabariam nos dominando. Mais cedo ou mais tarde. Claro que a esquadra nos vingaria, mas estaríamos sob as margaridas, um pensamento nada agradável.



— Mais do que desagradável — murmurou o capitão McGregor, olhando em seguida para Tyrer. — O que quer que façamos agora, senhor?



Tyrer hesitou, espantado por nenhum dos dois ter ouvido o inglês de Hiraga, mas satisfeito com sua nova estatura... pois era a primeira vez que McGregor o tratava por “senhor”.



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