Читаем Gai-jin полностью

De alguma forma, devo conter esse jovem tolo, e me tornar o único canal de comunicação entre o imperador e o xogunato, ele estivera pensando, a mente assediada pelas dificuldades com que se defrontava: a loucura daquela visita oficial, Anjo, cujo controle do conselho impusera a aprovação, Anjo, com seu ódio e conspiração, a armadilha em que me encontro aqui no castelo, a multidão de inimigos por toda parte, entre os quais se destacam Sanjiro de Satsuma, Hiro de Tosa e Ogama de Choshu, que agora domina os portões, que são nosso direito hereditário. E além de tudo isso, esperando para atacar, como lobos salivando, ainda há os gai-jin.



Era preciso dar um jeito neles, em caráter permanente. O garoto Nobusada e a princesa devem ser neutralizados, em caráter permanente.





A solução permanente para os gai-jin é óbvia: por qualquer meio que pudermos conceber, quaisquer que sejam os sacrifícios, devemos nos tornar mais ricos do que eles e mais bem armados. Esta deve ser a política nacional secreta, agora e para sempre. Como conseguir isso? Ainda não sei. Mas, como uma questão de polícia, devemos lisonjeá-los para que se tornem descuidados, mantê-los em desequilíbrio, fazer com que suas tolas atitudes se voltem contra eles próprios... e usar nossas habilidades superiores para isolá-los.



Nobusada? Também é claro o que se deve fazer. Mas ele não é a verdadeira ameaça. É ela. Não preciso me preocupar com ele, mas sim com ela, a princesa Yazu, que é o verdadeiro poder por trás de Nobusada, e também na frente.





A súbita imagem mental de Yazu com um pênis, tendo Nobusada como receptor, fê-lo sorrir. Daria uma maravilhosa shunga, pensou ele, divertido. Shunga era a xilogravura erótica, colorida, tão popular e apreciada entre os mercadores e lojistas de Iedo, que fora proscrita pelo xogunato, há mais de um século, como licenciosa demais para eles, as classes inferiores, e que podia, com a maior facilidade, ser usada como sátira contra seus superiores. Na hierarquia imutável do Japão, instituída pelo tairo, o ditador Nakamura, e depois tornada permanente pelo xógum Toranaga, em primeiro vinham os samurais, em segundo os camponeses, em terceiro os artesãos de todos os tipos, e por último, desprezados pelos outros, os mercadores, “sanguessugas de todos os outros trabalhadores”, como dizia o legado. Desprezados porque todos os outros precisavam de suas habilidades e riqueza... acima de tudo de sua riqueza. Em particular os samurais. Por isso, as regras, certas regras, podiam ser ignoradas. Assim, em Iedo, Osaca e Nagasáqui, onde viviam os mercadores mais ricos, a shunga, embora oficialmente proibida, era esculpida e pintada, produzida com a maior satisfação pelos melhores artistas, reproduzida pelos melhores artesãos. Em cada época, artistas disputavam entre si por fama e fortuna, vendendo gravuras aos milhares.



Exóticas, explícitas, mas sempre com genitálias enormes, fora de todas as proporções, num contraste hilariante, as melhores em detalhes perfeitos, bastante possessivos. Também muito apreciados eram os retratos ukiyo. Cresce o constante alvo de intrigas, escândalos e licenciosidade — a lei não omitia a existência de atrizes, e por isso homens especialmente treinados, nãgatta, representavam os papéis femininos — e ainda, acima de tudo, das mais famosas cortesãs.



— Eu gostaria que alguém a pintasse — comentou Yoshi.— É uma pena que Hiroshige e Hokusai estejam mortos.



Koiko soltou uma risada.



— Como eu deveria posar, Sire?



— Não na cama — respondeu ele, rindo também, o que não era comum, deixando-a satisfeita pela vitória. — Apenas andando pela rua, com uma sombrinha verde e rosa, usando seu quimono verde e rosa com a carpa dourada.



— Em vez de uma rua, Sire, não poderia ser em um jardim, ao crepúsculo, pegando pirilampos?



— Ah, muito melhor!



Yoshi sorriu, recordando os raros dias de sua juventude, nas tardes de verão, em que era liberado dos estudos. Nessas ocasiões, saía com irmãos e irmãs, além de amigos, pelos campos, em busca de pirilampos. Os insetos eram apanhados com redes, postos em pequenas gaiolas, e ficavam observando o milagre das luzes se apagando e acendendo, enquanto compunham poemas, riam e brincavam, jovens, sem maiores responsabilidades.



— Como me sinto com você agora — murmurou ele.



— Sire?



— Você me tira do sério, Koiko. Tudo em você.



Como resposta, ela tocou em seu braço, dizendo nada e tudo ao mesmo tempo, feliz com o elogio, toda a sua mente concentrada em Yoshi, querendo ler seus pensamentos e necessidades, querendo ser perfeita para ele.





Mas esse jogo é cansativo, pensou Koiko, mais uma vez. Este protetor é muito complexo, muito perceptivo, muito imprevisível, muito solene e muito difícil de entreter. Não posso deixar de especular por quanto tempo ele me manterá. Começo a detestar o castelo, odiar o confinamento, os testes incessantes, continuar longe de casa, da conversa e riso alegre das outras, Raio de Luar, Fonte da Primavera, Pétala, e acima de tudo de minha querida mama-san, Meikin.



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